quarta-feira, 13 de maio de 2009

segunda-feira, 4 de maio de 2009

100 m³

Chegue perto, mais perto.
Cheguem mais perto do que quero lhes dizeres, chegue aqui, mas perto do texto que está lendo, mais perto da minha vontade de colocar-lhes próximo o suficiente, para sentir a espessura da forma de uma frase que pesa, sentir o cheiro da fonte, o gosto do tipo, tipografado, tipo engarrafado num litro de vidro, garrafa de cerveja que contém tubaína.
Bem mais perto do que consiga, chegue milímitros de distância, mas o suficiente[mente] para que o foco não se perda, chegue dentro da letra, sente-se na que prefirir. A letra U parece ser tão agradável para um repouso, um cochilo. O b, um banco macio. Escolha a sua, sente-se, deite-se, sinta-se à vontade.
Sou participante, candidato, concorrente, somos só mais um dos padrões de um ser humano. Todos temos dois olhos, duas orelhas, uma boca, um nariz, e ainda assim há quem se faz mais feliz. Éramos tão iguais quando alguém nos pintou, e a obra era tão verdadeira que deixamos de ser pintura, fizemos a mistura, e por mais que fôssemos todos iguais, tornamo-nos tão diferentes. Fenomenologicamente isso é ótimo, então minha fenomenologia da imaginção é ainda melhor.
N`um forte gesto com o pincel de cerdas largas e encharcado de tinta ócre se explode na tela esticada, como uma apunhalada sem que atravesse a corporeidade do campo. E o que vai surgir dessa pintura? Se é que pode se chamar de pintura tentar traduzir visualmente algum sentimento.
Cândido Portinari, fez muito bem na sua tradução do volume para um campo visual, do peso, da força.
Pintar o vento, colorir uma gargalhada, expressar pictóricamente uma súplica, pintar o prazer, pintar a anciedade, a fome, o desgosto, a sensação, que cor tem um sentimento de vitória?
Vou pintar minha janta, mas não pretendo pintar o feijão, o arroz, vou pintar o gosto que vem depois. Vou pintar o peso de uma semente de flor de liz. A satisfação de uma amizade, o grito de uma torcida. A sede saciável. O arder de um prazer.
Chegue perto, bem mais perto.
Vou pintar o seu nariz.

domingo, 26 de abril de 2009

Ausência

SUBSTANTIVO FEMININO - Afastamento, falta de presença: constatar, notar uma ausência.
Fig. Inexistência, carência: ausência de qualquer critério. / Distração, perda da memória: ter ausências.
Estado ou circunstância de não estar presente.

SUBSTANTIVO FEMININO. Ela me faz falta.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Um neurônio macho.

Que curiosidade é essa de querer saber quem vou encontrar, fazendo o quê, e o que têm nos banheiros de postos de serviços nas estradas do Brasil. De onde sai essa curiosidade? Mas como não sou de me sentir inferior, inverti os papéis da minha reflexão inútil.
Curiosidade sentem elas!!!
Nem imaginam como são os banheiros masculinos desses postos de estrada, passam longe de uma visão a grosso modo, de que tem pia com sabonete líquido, mictório coletivo, uma cabine com privada para os mais necessitados...puff
As que ousaram matar a curiosidade viram algumas nafitalinas em uns.
Mas vou tentar ajudar vocês gatinhas, rs a pensar um pouco mais num universo masculino (coisa de macho).
Primeira coisa a se notar quando se entra num desses banheiros de postos destinados aos homens, é pelo nariz. Sim, cada um tem um cheiro diferente, os mais limpos, que com certeza se econtram nos postos mais modernos, tem perfumes agradáveis de limpeza, flores do campo, algo do tipo, para que se mije em paz. Você encontra umas plantinhas decorando, o teto é mais alto, os espelhos cercam todo o espaço do recinto, os mictórios estão sempre limpos, são modernos, se posicionam numa boa altura a ponto do jato de urina não espirrar nas pernas, nesses jamais passaram nafitalinas, tem uma estrutura de plastico, como se fosse um crochê perfumado, o detector de presença aciona a descarga automaticamente, assim que o mijão se afasta do mictório, alguns desses, fazem anuncios visuais de forma inteligênte em cima desses "santuários" do mijo, inteligêntes porque de fato o malandro ali mijando, se atenta demais com qualquer coisa inútil. Ele brinca de acertar a nafitalina, jogando ela de um lado para o outro, e nesses mictórios coletivos, que são cumpridos feito cocheiras de porco, nesses mando longe a balinha, e ainda comemoro quando acerto ela no ralo.
Curioso são os que tem gelo, também desconheço a ação do gelo pro macho mijar, penso que seja por causa do choque térmico da urina que é quente quando em contato com o gelo, exala um odor menor, sei lá, evitando o cheiro de macho sujo nos banheiros mais comuns de postos menos favoraveis.
Na verdade acredito que seja pros caras ali se distrarirem mesmo, escupindo o gelo com qualquer forma que lhe convir.
Nesses se econtra de tudo, menos aparência limpa, tem pentelho por volta de toda privada, cuspe na tampa, dezenas de pichações, até versinhos do tipo: "Por enquanto que você está cagando, tem um japonês estudando". Aí o cara pensa: -Nossa, deve ter barata aqui.(puff). Nem barata aparece num banheiro desses.
Enquanto que nos bons banheiros, tem até ajudante. É ajudante, fica um senhor parado na porta daquele banheiro gigante, em repouso, fica lá, aguardando alguém chamar eu acho. Pra mim aquele tiozinho é ajudante, o que faria um senhor parado na porta de um banheiro chicpra macho mijar e cagar? seguraria a bolsa de alguém? ele fica ali a espera de um machão gritar: - Senhor, como funciona essa porra aqui?? e ele vai até o chucro mostrar o que ele jamais viu, que pra secar as mãos é só encostá-las perto do vapor, que se acionará automaticamente, soprando um forte vento de calor por debaixo do aparelho fixado na parede.
Se eu continuar falando os 80% das coisas que ainda faltam, estarei desonrando a raça masculina.
Enfim, acho que consegui deixá-las mais curiosas a respeito do banheiro masculino do que eu próprio em relação aos banheiros femininos...
Será que alguma aí poderia me convidar pra ir ao banheiro com você?



Nada a temer, nada a fazer.

Não entenderia, quando ainda um rapaizinho marrento que escondia a chupeta na fronha do travesseiro, ouvia de seus criadores pra se preparar que alguém iria morrer.
Como assim?
Se preparar pra morte de alguém? Como, ainda rapaizinho entenderia esse jeito de se preparar pra transição espiritual de outro alguém? Se preparar pra danada da morte...
Me conformava, mas nem entender a morte eu entendia. Achava ela um menino como eu, só que vestido de preto.
Gosto do preto, do crú, da ausência de brilho nele, da falta de reflexo. Para mim a morte é um menino ainda, e vestida de preto e sorriso, sorrindo...
Fiquei homem, marrento ainda, de coração duro, que sabe sim a quem dar os verdadeiros valores da vida, para que o menino de preto e sorriso, as leve na hora certa.
Homem importante na minha vida, me deixou hoje e todos que o amam, homem "antigo", de princípios antigos, de filosofia boa e marrenta... é, marrenta como o que vê a morte um menino de preto e sorriso.
Que Deus o tenha!
Apaixonado pelo verdadeiro amor, acredito que pediu a Deus para ir, ter com seu verdadeiro amor que também partiu nesse caminho à dois meses atrás.
Fez suas malas...




Obra: "sem título"
gravura em metal
24x33cm
2007
Marcomini

terça-feira, 31 de março de 2009

O Pintor e o Mar

Com os olhos banhados d'água, ele suplicafava: - fica!
Tarde demais, ela foi embora. Mesmo ofertando tudo e não pedindo nada - fica! Tarde demais, ela foi embora. Mas o tempo sabe bem o que fazer: deixar a chuva lavar pra escorrer daquela pele, todo lodo e fébre. Mas o tempo sabe bem como curar a ferida que ensiste em sangrar, mas vai FECHAR!
E na madrugada fria ela deixa de ser cega e enxerga. Tarde demais, ele já não a espera.
E olhando-se no espelho só resta o lamento, meu Deus, foi tarde demais, ele partiu com o tempo. Mas o tempo soube bem o que fazer, deixou a chuva lavar pra escorrer daquela pele todo o lodo e fébre. Pois o tempo soube bem como curar a ferida que nunca mais vai sangrar, fechada está.
E nesse dia então o mundo pode perceber, que foi tarde demais, pra ela se arrepender.
E nesse dia então o mundo pode perceber, que foi tarde demais, pra ela se arrepender!

E ainda com os olhos banhados d'água ele pintava o mar. Aquela que vem do mar.
Ruínas.



obra: "Laço" 2006
acrílica s/ tela
90 x 110 cm
Marcomini


segunda-feira, 30 de março de 2009

De Água e Óleo - p1

Em reflexão sobre o visível, o mundo e o ser, poucos são aqueles que desde o ínicio entrelaçam suas investigações com os modos de se ver uma pintura, e de ser levado por ela.

obra: "De Água e Óleo" p1
óleo s/ tela

100 x 120 cm
março de 2008
Marcomini

De Água e Óleo - p2


obra: "De Água e Óleo" - tríptico p2
óleo s/ tela
100 x 120 cm
março de 2008
Marcomini

De Água e Óleo - p3

Se em meu trabalho passo a isolar um dado perceptível, como por exemplo tratar a construção da luminosidade como um dado sensível sem que haja uma impressão de figura sobre um fundo, torno-o inconcebível, e ativá-lo exige no mínimo a experiência mental de percebê-la e isso a tornará qualquer coisa,ou NADA.
obra: "De Água e Óleo" - tríptico p3
óleo s/ tela
100 x 120 cm
março de 2008
Marcomini

De Água e Óleo



Uma obra de ARTE - antes de se materializar em um quadro, um livro, um filme... - é uma ideia. E ideias não obedecem a fronteiras, ou seja, não obedecem a um único formato ao linguagem.

Este trabalho, em seu processo de criação, valeu-se da ideia de tornar visível por meio pictórico o que há de sensível. O que quero dizer é que seja sensível não tão somente a percepção visual, mas sim o sensível desencadeador da multiplicidade de dados sensoriais.

Esse caminho de uma pesquisa em arte, concretiza uma obra, concretiza De Água e Óleo, que em sua essência se engendra além de uma pintura e pressupõem uma liberdade de olhar, de perceber, uma liberdade de mão-dupla: tanto minha como criador (que toma novas proporções e possibilidades na medida em que as construo, mantendo sempre o foco), como de quem vê, para tentar apreender a obra em sua plenitude de significados, superando quaisquer rótulos e categorias preestabelecidas.

obra: "De Água e Óleo" - tríptico
óleo s/ tela
100 x 120 cm (cada tela)
360 x 100 cm - dimensão total.
março de 2008
Marcomini

domingo, 22 de março de 2009

Maldita e EU.

Vamos, me diga quem é
senão entra no cambito
Disse a visão: Sou a alma
expulsa de Deus bendito
que tu mandado por ele
me resgatou do maldito.

Então eu disse: E foi você
que ganhei de Lúcifer?
Disse a visão: Foi eu mesmo
faço o que lhe convier.
- Sendo assim vamos embora,
viver como se pode.

O diabo já me disse
que estou no seu caderno
sendo assim eu nem vou perto
das graças do Deus eterno.
Porém se Deus der o fora
iremos para o inferno.
Dizendo isso parti
com a alma em companhia
não deixava a companheira
em toda parte que ia.
A alma da mesma forma
não me deixava um só dia.

Até quando vi o dia
da minha consumação.
Deixei a vida terrestre
e subi a Santa Mansão
para ser visto no Céu
do santo Deus de Abraão.

Porém chegando no Céu
não pude alcançar vitória
porque São Pedro me disse:
Tu estás fora da glória
aqui no Céu está escrito
Os crimes da tua história.

O desprezo que me deste
está escrito no caderno,
vai procurar teu refúgio
nos vacos tristes do inferno,
não faz o que tu fizestes
quem quer o bem do Eterno.

Eu juntei a companheira
e disse: Vamos regressar,
estou ciente que nó Céu
não querem nos colocar,
porém numa parte dessa
Haveremos de ficar.

Nessa terra de ninguém
alma e eu só espera o Amém.

Adaptação minha, de um dos cordeis de Manoel Cabloco.
obra: "Maldita" P.A.
xilogravura
42 x 30 cm
Marcomini



segunda-feira, 16 de março de 2009

O cabo da foice.

Maior parte do meu tempo, vivo no trabalho. E de fato, vivo mesmo, hora to de bem, hora mordo os dentes, do risada, fico nervoso, tenho direito em ficar, assim como os dois cães quem vivem lá ficam quando eu os provoco. E algo me fez pensar por demais:

Encontrei um erro num trabalho (de comunicação visual) institucional, do qual eu criei, e só o encontrei em sua última fase antes de ser entregue aos solicitantes.

Aquilo me engasgou de tal forma, que suava frio, doía na boca do estômago, calafrio me subia pelas pernas, fiquei pálido feito freira... frio como um peixe e com olhos saltados de um também.

Eu poderia evitar esse erro, assumindo, pondo minha cabeça a prêmio, evitando antes de ser entregue e arcando com o prejuízo... sim o [pré] juízo! (final)

Muitos compram meu serviço, o direito desses quem compram, é ter seu trabalho bem feito.

Eu errei, me calei, apostei no nada que alguém veria esse erro, deixei que as águas desse março o levasse. Mas o que senti quando me forcei a calar, foi a primeira experiência no auge dos meus vinte e poucos anos; calar-me quando seria a o primeiro a gritar.

Um médico, não tem o direito de errar. Um piloto de aeronave, também não tem esse direito. Erros deles, podem roubar o direito de vida de outros tantos. Motoristas se erram, roubam muitas das vezes outros direitos. Na verdade, ninguém pode errar, o mundo cobra isso o tempo todo de todo mundo, que não errem.

Mas não sou médico, nem piloto. Eu conceituo no meu erro, o torno acerto mesmo ele tendo nascido d`um suposto erro, eu o mudo, e ele fica mudo. Eu vou mais fundo nele, o escondo, ou evidêncio ainda mais. E ele aparece, desaparece... eu faço indagar, questiono e convido os de fora a questionar se o que é o erro, o que é errado, o exponho como arrependimento, o valorizo, ponho-o invisivél.

Meu mundo é mais leve, meu erro na profissão não é erro, talvez não seja acerto. Lembre-se que estou dissertanto sobre meu trabalho.

Sou artista plástico, sou cigano... eu engano.


Seria mais fácil ter trocado o MC pelo certo CH antes do .com.


segunda-feira, 2 de março de 2009

No pé do morro escuro.


Boa noite.
Por mais que eu não seja um rapaz da noite, é nas noites em que os melhores eventos acontecem em São Paulo e me arriscaria a dizer que no mundo. É nas noites que a raça humana deixa um mundo estereotipado, veste-se d'uma máscara que melhor lhe cabe para cada ocasião, amigo meu custuma dizer que à noite os gatos são pardos, e nessas noites o mundo parece se tornar mágico.
Pessoas são o que não são de verdade, outras são além da realidade e ainda outras não são.
Eu ainda prefiro durmir durante a noite, os raios da luz solar me movem, mas ainda por mais que eu me abdique das noites, não há Cristo que resista a curiosidade que traz uma noite. E eu, muito curioso, acabo por me entregar.
Uma semana após o Carnaval, grande movimento popular, pluralizado folclóricamente, invejado pelo mundo, me induzi a essa masturbação reflexiva, de que ponto eu cheguei na minha vida? Quais os meus desejos? Minhas metas? minhas ângustias talvez? o que pretendo com meu futuro e com o mundo à minha volta? Que sinístro isso!
A cada passo, pessoas, essas que adoram a noite, que as vezes passam uma semana inteira esperando pela noite de um certo dia, de um certo mês... A cada passo, todos notam sua maturidade, suas vivências fazendo a diferença na hora em que mais precisam se salientar. Aí percebe-se que as pessoas que se relacionam com você, são atraídas pela energia que você transmite, e com o tempo, com mais idade suas amizades começam a se fechar, os velhos amigos se compactam num espaço de boas lembranças, aumentam as vontades de mudar tudo na sua vida ao mesmo tempo que, nada dá pra mudar tão fácil assim.
Alguns arrependimentos, outras tantas desilusões, um punhado de sorriso e a vida continua sendo a mesma... quando na verdade ja mudou tanto e o mesmo ainda é você.
E em meio a essa vontade de expor tudo que meu coração sopra, chega a perder o nexo, não se entende bem o objetivo desse pequeno texto, e por quê ele deveria ser entendível?
Esse espaço fui eu quem criei, tenho direito de escrever e propor o subjetivo da forma que melhor me convém.
Assim que são as pessoas nas noites, incertas, alucinadas, máscaradas... sinceras!
São seus mais profundos demônios à pertubar suas idéias. Por isso, cuidado com as noites no âmbito social.
E nessa noite de segunda-feira, pósto este texto...
Boa noite.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Hoje fotografei o infinito

Silêncio por favor.


Enquanto esqueço um pouco a dor, desses últimos dias difíceis que, nem eu acredito que sou eu.


Não digo nada sobre meus defeitos, pra você eles não vão existir, nem pra mim. Já nem me lembro mais quem me deixou assim e ontem, eu quis apenas uma pausa no tempo, esquecer desses últimos dias difíceis e olhar as meninas, as meninas e as meninas, e nada mais. Um certo amor descontraído, que me solta os sorrisos, e não preciso me esconder, olhar escondido, perceber despercebido, disfarçar o acontecido.


Quem sabe de tudo, não fale. Quem não sabe nada, se cale. Porque hoje, por conta de ontem eu quero pintar, desenhar, me apropriar do infinito. Hoje eu vou fazer, do meu jeito eu vou fazer minha fuga para o infinito.


Sou livre do amor, não tenho um... Não que eu sáiba. Faço das coisas que acho propício se tornar amor pra mim.


Soltar pipa, descer a rua com meu carrinho nos pés, lavar o carro com mangueira na garagem em dia de feira, tomar caldo de cana e passar no mercadinho descalço no asfalto quente, encontrar velhos amigos, e depois os novos amigos. Sentar na calçada, correr atrás da pipa mandada, olhar pro horizonte depois de comer uma pratada no almoço. Lavar o quintal e o tênis sujo de terra, subir na laje e avistar a favela.


Esquecer o lado triste da vida e olhar as meninas, esquecer o que se tem por trás dos olhos, e olhar as meninas, tê-las nos braços e nada mais. Pintei o infinito, e traçei meu caminho.



obra: Sem título
acrílica s/ papel alto alvura 240g
42 x 68 cm
abril de 2007
Marcomini





segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

um olhar...ou muitos?

Dia desses me peguei pensando o que se precisa pra fazer arte...

Então pensei, precisa-se de coragem, precisa-se de liberdade, é... Liberdade!

E então nasce um amor, que precisa ser amado.

Para se amar um artista tem que saber ser livre.
Não falo do amor livre, aquele desvairado em que nada importa, em que corpos e bocas diversas fazem parte de tudo sem mesmo fazer parte de nada. Não é desse que falo. Absolutamente também não falo de amor livre desses que quase já não há amor. Aquele que as pessoas fingem se amar fingem se importar, mas na verdade não.
Olham para o lado sempre a procura de algo melhor e sofrem por dentro por não saber o que procurar.
Não é desse amor que falo.
Na verdade nem quero dizer nada sobre amor livre. Não é o amor que deve ser livre. Nós temos que ser livres.
E ser livre não significa ser rebelde, adverso, descompromissado ou desinteressado. Ser livre não significa fazer o que acha que deveria para parecer independente. Ser livre não significa agir inconsequentemente sem se preocupar com o que o outro sente, com o que o outro pensa, com que o outro precisa. Ser livre não é estar ausente.
Aliás, acho que esse é um dos maiores desafios da liberdade: estar presente. (contraditório) pessoas dizem que sou.
Porque pra você ser livre você tem que entender o mundo, a diversidade dos sentimentos, a diversidade de pessoas, a diversidade de idéias e opiniões.
Você tem que fazer suas escolhas sem ferir as alheias, sem prender, sem forçar, sem dominar.
Ser livre não é estar no topo, é estar. Apenas. Em qualquer lugar... me entende?
E pra se amar de verdade um artista é preciso entender que nada é o que parece, que as coisas mudam e quem nem sempre dão certo. É preciso entender que sonhos podem virar realidade - nem que seja somente na ponta do lápis - mas que nem sempre esses sonhos são reais. Podem ser só sonhos do artista. É preciso entender que as horas passam, os dias passam, os anos passam e ele vai estar sempre lá, apaixonado pelo trabalho (que vai ser o único amante verdadeiro de sua vida).
Por esse motivo o artista ama seu trabalho: porque é livre.
Para se amar um artista é preciso olhar com atenção e se deixar ser olhado.
É preciso estar só e deixar só - sem realmente estar em ambos os momentos. É preciso criar: rotinas dentro do caos, novas histórias dentro da história, motivos pra amar, espaços pra viver.
É estar lá e saber que o artista também vai estar. É sentir e saber que o artista também vai sentir. É amar e saber que o artista também vai amar. Sem necessariamente ele ter que provar isso a todo o momento.
As provas de amor de um artista vêm através de sua arte. O quanto mais ele ama, mais ele se sente criador.
Não que o artista não crie também quando está triste ou desamado - mas aí é quando o amor próprio fala.
Ele às vezes vai parecer distante, às vezes vai parecer frio, às vezes vai parecer triste... e não vai ser por sua causa. O artista sofre sozinho, de sua própria criação.
Ele às vezes vai parecer animado, às vezes vai parecer eufórico, às vezes vai parecer feliz. Aproveite sempre esses momentos com ele.
Mas não quero dizer com tudo isso que amar um artista é uma entrega solitária. Ele também vai te amar e te agradar, e te respeitar: se você for livre.
Livre pra amar seu jeito desconexo. Livre pra entender suas ausências. Livre pra admirar suas criações. Livre pra controlar o ciúme. Livre pra se ausentar sem jogos. Livre pra viver sem amarras. Livre pra amar sem medo.
Livre sem medo de ser amado da forma que ele souber amar.
Para se amar um artista tem que se entender que o amor é livre, sem necessariamente ser o amor livre desvairado ou o amor livre desinteressado.
O amor é livre, pois é pessoal, individual e intransferível. É variável dentro de uma mesma forma e simples o suficiente para assustar.
Para se amar um artista tem que saber que não importa o que acontecer, se você for digno de receber amor (qualquer tipo de amor) ele será seu.
Inevitavelmente.
Pode parecer complicado, muitas regras, muitos problemas... Mas não, não é assim.
A grande questão que você precisa saber responder para saber se pode ou não
amar um artista é:

Você sabe ser livre?


Se a resposta for não, eu sinto muito.
Se a resposta for sim, então apenas te informo que, se você for realmente livre, o artista te amará antes que você o ame. E não há como não amar um artista apaixonado.
Pensando bem, posso estar sendo extremamente pretensioso... Mas não falo simplesmente por mim, falo pelos que tem instinto de artista... porque se tem instinto, já são artistas!




No Caminho, com Maiakovski

Na primeira noite eles se aproximam,
e roubam uma flor de nosso jardim,
e não dizemos nada.
Na segunda noite já não se escondem:
pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz,
E, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Pisando em praça de guerra.


Não estou querendo me passar por repórter, nem tão pouco por um cidadão que tem compromissos com assuntos onde humanos parecem créditos de um jogo eletrônico, quanto mais morre, mais se ganha ponto.
Não tenho pretensão alguma de tocar corações expondo minhas idéias com este texto, e muito menos me passar por um ser humano que se importa com gente inocente morrendo a troco de estatus entre quadrilhas de assassinos.
Estou aqui puro e simplesmente questionando, em vóz alta, que porra de guerra é essa? ah?
Acompanho no blog do estadão e do uol, pessoas discutindo o motivo dessa monstruosidade, expondo seus conhecimentos sobre a religiosidade daquela gente, o porquê uma israel tão poderosa em termos de armamentos e peparo de "guerrilheiros" com sangue nos olhos enfrentam um grupinho menor que os moradores de Pirituba...Alguém conhece Pirituba? bairro aqui de São Paulo, conhecem?
Hoje, dia 19 de janeiro de 2009 o grupo palestino concordou trégua de 1 semana com Israel. Uma semana de trégua, uma semana para que os civis da cidade de gaza planejem novos esconderijos, planejem suas fugas do inferno que está acontecendo por lá.... uma semana de trégua pra voltarem a se matar, voltarem a espalhar dor, e ódio e toda energia ruim e pesada por pessoas inocentes que até agora eu, particularmente eu, com toda a minha ignorância e falta de interesse de saber por que essa guerra está acontencendo... Eu no meu mundo fantasiado e puro, pouco me importa saber o motivo dessa pouca vergonha entre uma raça de doer.... essa raça de humano!
A única coisa que eu queria dizer aqui, é que me dói ver isso acontecer no mundo, nesse mundo onde todo mundo é gente e se diferenciam a todo o tempo, uma raça que é a mesma raça e não consegue ver semelhança no próximo, que separam por fronteiras, continuações do mesmo pedaço de terra.
Uma gente burra, que por não falar a mesma língua, pouco importa o que o outro pensa...
Eu só queria dizer que animais brigam por não terem uma linguagem entendivel.

Se você enxergasse o meu samba.


O meu samba, vai curar teu abandono,
O meu samba, vai te acordar do sono...
Meu samba não quer ver você tão triste,
Meu samba vai curar a dor que existe.
Meu samba vai fazer ela dançar...
É o samba certo pra você cantar.
Meu samba, é de vida e não de morte.
Meu samba, vem pra cá e trás a sorte
e celebra tudo o que é bonito,
Meu samba não despreza o esquisito,
Meu samba vai tocar no infinito,
Meu samba é de posse e não de grito,
Meu samba, defende com alegria, deixe que a noite vadia vai saber lhe coroar...
Deixo entregue aos bambas de verdade,
Que estão nos morros da cidade,
Peço a benção pra passar.
Deixo entregue aos bambas de verdade,
Que estão nos morros da cidade,
Peço a benção pra passar...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Um mundo pequeno.

Quando era mais pirralho, desenhava água com rosto, que era amiga do fogo e esse não queimava, e nem se apagava por abraçar a água, todos que viam meu desenho achavam engraçadinho, e pra mim, aquilo era de verdade.... Cresci e venho me tornando o homem mais razoável. Falo de trabalho, de dinheiro, política, futebol, em rodas de "homens" falo de mulheres, isso me torna muito razoável, mas preferia a minha época em que a água abraçava o fogo.
Meu mundo era pequeno e era o bastante. Hoje me cobram um mundo grande, e de tão grande é tão superficial.
O soldado vive para morrer como herói, vive pra morrer. Não que isso seja diferente do resto dos humanos, mas o soldado só espera da vida, a morte.
Tudo muda com novas experiências, e o ser humano vai se tornando homem por suas experiências, e se conhecer algum que não sáiba mentir, não é humano.
Será que dá pra ter idéia do que é a Terra?
E eu, não sou soldado, e o que espero da minha vida?
Voltar a ter meu mundo pequeno, com uma porção pequena de bons amigos, talvez um punhado de filhos pra deixar de ser tão razoável assim, aí eu vou perder minhas estribeiras, voltar a viver sem fronteiras, num mundo tão pequeno não preciso dividir meu espaço, vou ser palhaço.
O que quero é um mundo pequeno.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Ela apareceu aqui.

.

E tudo volta ao normal...
Primeiro e não segundo dia do novo ano que o cidadão volta as suas atividades de custume. Se desenrola de um envólucro nostálgico que teve em sua noite mau durmida e joga água fria em sua cara às 5:30 da manhã.
É... voltei ao que talvez considere "essência" no meu existir. Sigo pelo mesmo caminho, olho para o mesmo lado, acelero naquela rua, aquela... e dirijo como de custume, o caos não está tão caos assim, a ansiedade já não é tão anciosa assim. Deve ser por procurar um novo caminho no caminho que já existe.
O Sol, atrás do dia nublado começa a borra no horizonte interrompido por arranha-céus, sígno. E volto outra vez.... para ir logo mais e voltar logo.
E antes de cochar meu leito, meu olhar se atrai pela dura imagem de encarar meus pés vestidos por meias amarelas.
O que leva um cara a ter um par de meias amarelas?

domingo, 4 de janeiro de 2009

Om (ॐ)


O Om (ॐ) é o mantra mais importante do hinduísmo e outras religiões, considerado o corpo sonoro do "Absoluto" é o som do infinito e a semente que fecunda os outros mantras.

O Om começa com a boca aberta, emitindo um som mais parecido com um (a), mantendo a língua colada no fundo da boca e a garganta relaxada. O som nasce no centro do crânio, se projeta para frente e vibra na garganta e no peito. Após alguns segundos de vocalização, a língua deve recolher-se para trás. Assim, aquele som similar ao (a), se transforma numa espécie de (o) aberto, que vai fechando progressivamente.

No final, sem fechar a boca, a língua bloqueia a passagem de ar pela garganta e o som se transforma em um (m), que em verdade não é exatamente um (m), mas uma nasalização. Esta nasalização se chama anunásika em sânscrito, que significa literalmente com o nariz, e deriva da palavra násika, nariz. Mais claro, impossível. Em verdade, o mantra poderia grafar-se Aoõ. Neste ponto, o ar sai pelas narinas e o som vibra com mais intensidade no crânio. Aconselha-se que se treine colocando uma mão no peito e a outra na testa para perceber como a vibração vai subindo conforme o mantra evolui.

Porém, se você prestar atenção à vibração que acontece durante a vocalização, perceberá que ao emitir a letra (o) inicial (que começa como um a), a nasalização do (m) já está contida nela. Ou seja, é um som que se faz com o nariz, e não uma letra (m). Ao perseverar na vocalização, sente-se nitidamente que a vibração se origina no centro da cabeça e vai expandindo até abranger o tórax e o resto do corpo. resumindo, o Om começa com a boca aberta e termina com ela entreaberta.

Om é a vibração primordial, o som do qual emana o Universo, a substância essencial que constitui todos os outros mantras, sendo o mais poderoso de todos eles. Ele é o gérmem, a raiz de todos os sons da natureza.

E assim inicia-se também este blog, como um som, um gesto, um ato de expor minhas idéias, minhas inquietações, minhas angústias, um compromisso comigo mesmo por meio dessa ferramenta de comunicação "moderna", onde minha voz em letras alcança grandes distâncias, é como ter o poder de falar para o mundo e não à uma pequena roda de amigos dentro de um bar qualquer. Decisão de criar essa sala por um conselho de um novo amigo, uma pessoa que talvez só tenha passado na minha vida pra somar um pouco mais de vida em mim, ou ainda mais, uma pessoa que pode ainda fazer parte por muito tempo.

Pessoa essa que num papo curto, dentro d`um barquinho de pescador cercado por água e mais água salgada, entre olhares compenetrantes e atentos um ao outro, no caminho de volta e com um sentimento de plena satisfação de termos alcançado o que fomos buscar, de certa forma parecidos, mais cada um no seu jeito, a seu modo em 7 dias isolados da babilônia se fez uma pergunta. Pergunta simples, mas com uma força sem igual:

Drigão, você gosta de escrever?

(...)


Prazer te conhecer muleque firmeza!

Alberto Geraissate Paranhos Oliveira, vulgo Beto


Gratidão